Mal súbito e a importância da Medicina Esportiva

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No dia 12 de junho, durante a partida entre Dinamarca e  Finlândia, pela Eurocopa, o jogador dinamarquês Christian Eriksen, de 29 anos, caiu desacordado no gramado. Ao receber um lateral, o atleta sequer conseguiu dominar a bola. Demonstrando sinais de inconsciência e incapacidade de controlar os próprios movimentos, Eriksen deu três passos para frente e desabou no chão involuntariamente. 

Uma cena impressionante que chocou o mundo e fez todos os que estavam em campo temer pelo pior. Algo que só não aconteceu graças ao atendimento médico realizado às pressas no local, que reanimou o jogador e conseguiu conduzi-lo a um hospital. “Ele morreu hoje, embora por alguns minutos, mas ele morreu. E o profissional médico permitiria que ele morresse de novo? A resposta é não” disse o médico Sanjay Sharma, que socorreu o jogador no campo.

Eriksen, que por pouco não foi a óbito, teve o que a medicina chama de um “mal súbito”. Um colapso que pode ser provocado por várias razões e que levam as pessoas a perderem a consciência e, em alguns quadros, a uma fatalidade

Para entender melhor o que é um mal súbito, por que esse evento acomete até mesmo atletas no auge da forma física e quais medidas devem ser adotadas pela medicina esportiva para prevenir e identificar a possibilidade de um colapso, o blog conversou com a Dra. Taline Costa, médica do esporte do Instituto Olimpo e doutoranda em Fisiologia do Exercício pela UNIFESP. Taline também compõem o grupo de profissionais do Corinthians atuando na comissão técnica da equipe de futebol feminino do clube.

Blog: O que é o mal súbito, e por que ele ocorre?

Dra. Taline Costa: O mal súbito é uma perda súbita de consciência que pode ter diversas origens. Pode ser um AVC (Acidente Vascular Cerebral), uma arritmia cardíaca, um infarto ou o rompimento de aneurisma. Algo que faça a pessoa perder, subitamente, a consciência.   

Blog: Todas as pessoas podem ter um mal súbito? Quem está mais sujeito a esse problema?

Dra. Taline Costa: Existem alguns portadores de doenças cardiológicas que não manifestam sintomas. É como se a pessoa tivesse uma alteração cardiológica silenciosa, que se abre o quadro com a morte súbita. Então, há casos em que se descobre o problema cardíaco através de um evento dramático. Todas as pessoas podem ter um mal súbito, uma vez que todos estão sujeitos a ter alguma alteração ou problema na saúde. Quem está mais vulnerável são pessoas que possuem comorbidades e que não tratam as doenças que têm. 

Blog: E no caso de atletas que podem ter uma patologia assintomática? 

Dra. Taline Costa: Em atletas, se eles forem portadores de patologias cardiológicas assintomáticas e colocarem o coração em uma situação de estresse, que é o exercício físico de alta intensidade, isso pode ser gatilho de arritmias complexas, que levam a uma parada cardíaca. Foi o que aconteceu com o jogador de futebol dinarmarquês Eriksen, que teve um mal súbito em campo, na Eurocopa.

Essa é a discussão sobre a necessidade de avaliação pré-participação esportiva em atletas. Porque os atletas são considerados  pessoas mais saudáveis  — e são mesmo —, mas, às vezes, eles podem ter alterações no corpo que podem se manifestar em um exercício físico de alta intensidade ou em outras situações, como empurrando um carro, por exemplo. Isso faz aumentar a demanda para suprir aquele movimento e, assim, desenvolver uma arritmia complexa e levar a um mal súbito de origem cardíaca. Lembrando que podem ter outras origens, como: ruptura de um aneurisma cerebral. 

Blog: Quais sinais o nosso corpo manifesta que podem sinalizar uma parada cardíaca?

Dra. Taline Costa: Algo que é mandatório para ser investigado é se a pessoa tiver sintomas durante o exercício físico. Isso inclui, por exemplo: desmaiar durante o exercício; sentir dores no peito; vômito; tonturas; batimentos cardíacos acima do normal, ou seja, uma dispnéia desproporcional, uma dissociação dessa frequência cardíaca em relação à tarefa desempenhada. Tudo isso precisa ser observado com atenção. 

Então, em suma, se tiver esses sintomas durante o exercício físico, é necessário investigar para entender se é uma resposta fisiológica ao exercício ou se estamos diante de uma alteração patológica que requer mais investigações. Às vezes, será necessário até cuidados especiais para esse atleta, como afastamento ou restrição de frequência cardíaca máxima que consiste em achar um limite de intensidade na qual o esportista não pode ultrapassar. 

Blog: Em um episódio de mal súbito, o que é necessário fazer para socorrer a vítima?

Dra. Taline Costa: O atendimento mais precoce possível. Se presenciar um atleta passando mal é necessário socorrê-lo na hora e fazer os cuidados protocolados pela American Heart Association para o atendimento imediato, como fazem os médicos de campo. A ideia de mal súbito é igual à de atendimento precoce. Se for detectado que a pessoa não está responsiva, é necessário checar se ela tem os batimentos cardíacos para, então, iniciar imediatamente as manobras de RCP (Reanimação Cardiopulmonar). Isso faz muita diferença, mas tem que seguir um passo a passo, que são os protocolos médicos de atendimento. 

Mas, pensando no caso do atleta dinamarquês, é importante lembrar que os clubes precisam ter um desfibrilador para fazer o choque do coração em um ambiente fora do hospital. Seguido disso, deve se dar sequência ao suporte, levando a pessoa para uma ambulância que vai dirigi-la a uma hospital para continuar com o suporte avançado.

Blog: Apesar de acontecer de forma inesperada, existem medidas para preveni-lo?

Dra. Taline Costa: Sempre! Manter uma boa saúde é fundamental. Dentro da função do médico do esporte é realizar uma avaliação pré-participação esportiva, que consiste em fazer uma anamnese detalhada sobre o histórico de saúde da pessoa, entender a sua rotina e solicitar exames complementares de acordo com os protocolos. Isso vai de acordo com o histórico clínico, as doenças que a pessoa tem e a sua idade. Isso vai guiar a tomada de decisão. 

E essa avaliação pré-participação esportiva é chamado check-up de aptidão esportiva. Nesse exame, a gente tenta diagnosticar essas doenças assintomáticas que, às vezes, são detectadas em alteração de exame. Isso significa que todos que têm pelo check-up estão prevenidos de ter um mal súbito e morrer? Não. Porque a gente consegue minimizar as chances, mas jamais zerar. Por isso, a gente recomenda o check-up esportivo todas as pessoas que praticam e vão iniciar o exercício esportivo para que a gente possa fazer as indicações necessárias, individualizadas, de acordo com as pessoas que a gente está atendendo.

Blog: Os exames variam de acordo com a idade?

Dra. Taline Costa: A gente sabe que a maior parte das pessoas que têm acometimento cardíaco abaixo de 30 anos é por uma comorbidade chamada cardiomiopatia hipertrófica. Casos como esse, a gente consegue ver algumas alterações em eletrocardiograma, testes ergométrico, além dos exames complementares como holter e ressonância. E, acima de 35 anos, entram as ateroscleroses. Então, a gente tem que entender quem é o paciente para a tomada de decisão dos melhores exames conforme a frequência de doenças ou comorbidades que aquela população específica tem. 

Então, é sempre importante fazer o check-up, que é a avaliação de pré-participação esportiva, que deve ser  levada com seriedade, e analisada, interpretada e vista por profissionais da área:  médicos do esporte, cardiologistas, que acabam desempenhando essa função, ou profissionais de outras especialidades que conhecem essa área também.      

Blog: Quais exames são necessários para identificarmos um problema no coração?

Dra. Taline Costa: As decisões de exames são sempre individualizadas. A gente faz a estratificação de risco para entender. E as diretrizes variam muito de cada país, da brasileira para a europeia, para a americana. A gente faz de exame complementar, podendo ser indicado dependendo de cada pessoa, o eletrocardiograma, teste de esforço — pode ser o ergométrico ou teste cardiopulmonar —, às vezes um ecocardiograma ou holter, por exemplo, que são os exames mais comuns. Mas, lembrando sempre que tem que ser individualizado. Por isso, é necessário ser avaliado por médicos especializados que vão fazer os exames necessários, sem se esquecer de algum ou solicitando ao paciente avaliações em excesso e desnecessárias. 

Blog: Como o Instituto Olimpo pode ajudar os atletas em relação a esse e outros assuntos? 

Dra. Taline Costa: No Instituto Olimpo, nós temos médicos do esporte, que são profissionais especializados em esportistas, e em como o estresse do exercício físico influencia nas respostas metabólicas e cardiológicas do organismo. Então, nossa especialidade é entender as particularidades dos atletas, esportistas e pacientes, de uma forma em geral, para que a gente possa fazer uma avaliação da saúde dessa pessoa, indicar os exames corretos e fazer o acompanhamento longitudinal de forma a reduzir riscos. E, somos também responsáveis em promover saúde de forma geral. 

A gente tem esse olhar para rastreio da doença, mas também promovemos um trabalho que visa melhorar a saúde das pessoas. E, para isso, oferecemos intervenções fisioterapicas, nutricionais, em saúde mental. Tudo isso vai melhorar a saúde de forma geral e o Instituto Olimpo pode te ajudar nesse caminho.

O Instituto Olimpo

O Instituto Olimpo possui profissionais de diferentes áreas da medicina, nutrição e fisioterapia, tão qualificados como a Dra. Taline Costa e todos também especializados na saúde dos atletas e na melhoria do desempenho esportivo.

Que tal conhecê-los mais de perto? O Instituto fica localizado no bairro Moema, em São Paulo (saiba como chegar). Visite nossas redes sociais e agende uma consulta clicando aqui!

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